Obesidade – A palavra do Médico (Parte 1)

Bom dia Leitores!

É com um pequeno atraso que disponibizo para vocês o texto do Dr. Frederico Mazza, endocrinologista, sobre a Obesidade. O que se segue é uma visão Ocidental do assunto, e em breve, escreverei para vocês sobre a visão oriental, unindo as medicinas em benefício do paciente.

Vamos dar início!

A obesidade é uma doença metabólica, descrita como um acúmulo de tecido adiposo (gordura) proveniente de um aporte calórico excessivo vindo de nutrientes dos alimentos ingeridos, acompanhado de uma vida sedentária, fatores genéticos, socioeconômicos, psicossociais e culturais. O número de pessoas obesas e com sobrepeso tem crescido rapidamente, já atingindo mais da metade da população mundial, tornando uma pandemia e um problema de saúde pública.

Um método simples para o diagnóstico da obesidade é o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), que avalia a relação entre o peso e a altura. Quando o IMC é maior do que 30, a pessoa é considerada obesa. Quanto maior o índice, mais chances do paciente desenvolver diabetes, neoplasias, problemas cardiovasculares, osteo-musculares, articulares, hipertensão arterial, infertilidade, depressão e ansiedade. Problemas diretamente ligados à piora da qualidade de vida e menor longevidade.

Os índices atuais são:

–  ​​Abaixo do peso: IMC abaixo de 18,5
–  Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9
–  Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9
–  Obesidade Grau I: IMC entre 30 e 34,9
–  Obesidade Grau II: IMC entre 35 e 39,9
–  Obesidade Grau III: IMC acima de 40.

** O cálculo do IMC é feito da seguinte forma: peso dividido pela altura x altura

Exemplo: Pessoa de 1,67m pesando 59kg

IMC = 59 / 1,67×1,67

IMC= 59/2,788 = 21,16  – Portanto, neste caso uma pessoa de peso normal.

O desenvolvimento de métodos mais simples de estimação da composição corporal vai permitir o estabelecimento de pontos específicos de corte para obesidade em cada população, o uso de técnicas como ressonância magnética, tomografia computadorizada, bioimpedância, entre outras disponíveis, leva uma definição mais correta da composição corporal de cada indivíduo.

A melhor forma de tratar a obesidade é adotar mudanças no estilo de vida, buscar maior equilíbrio emocional, auto-conhecimento, conscientização, melhora do comportamento social, uma dieta menos calórica, tudo aliado a um programa de exercícios físicos, sempre sob a supervisão de um profissional especializado.

Também deve ser considerado problemas metabólicos como a resistência insulínica e a leptina, redução de hormônios de saciedade, como GLP-1 e PYY, redução de hormônios sexuais e tireoideanos, alteração de microbiota intestinal, compulsão alimentar, paladar infantil, entre outros defeitos fisiopatológicos.

O uso de medicamentos, desde controladores de saciedade e fome, até os que reduzem a absorção de gordura, que reduzem a compulsão alimentar,e a resistência insulínica, devem ser considerados. Para os casos mais graves, pode ser recomendada também a cirurgia metabólica, especialmente quando há falência no tratamento clínico por mais de 2 anos, indicada sempre com muito critério, nos casos de obesidade grau II e III com comorbidades.

O combate à obesidade é uma tarefa árdua, e que precisa constantemente se potencializar, tanto pelo trabalho dos profissionais de saúde, familiares, e principalmente de políticas públicas, porém torna-se fundamental entuasiasmo e entendimento dos pacientes envolvidos.

Fatos importantes:

  • A obesidade mundial quase dobrou desde 1980.
  • Nos últimos 10 anos, a prevalência da obesidade no Brasil aumentou em 60%
  • Mais da metade da população brasileira está acima do peso.
  • 65% da população mundial vive em países onde o excesso de peso e a obesidade mata mais pessoasdo que abaixo do peso.
  • O excesso de peso e a obesidade são o quinto principal risco de mortes globais. Pelo menos 2,8milhões de adultos morrem a cada ano como resultado do excesso de peso ou obesidade.
  • 44% da carga de diabetes, 23% da carga de doença cardíaca isquêmica e entre 7% e 41% de certas cargas de câncer são atribuíveis ao sobrepeso e à obesidade.
  • Mais de 40 milhões de crianças com menos de cinco anos estavam acima do peso em 2011.
  • A obesidade é evitável.

Dr. Frederico Belcufiné Mazza

Especialização em Clínica Médica pelo Hospital Servidor Público do Estado de São Paulo.

Pós-graduação em Bioquímica Médica e Oxidologia – Fundação de Apoio a Pesquisa e Estudo na Área da Saúde.

Especialização em Endocrinologia e Metabologia – Instituto de Pesquisa e Ensino Médico de São Paulo

Pós-Graduando em Obesidade, Emagrecimento e Saúde – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.

Joslin Research Fellow in Advances in Diabetes and Thyroid Disease – Harvard Medical School .
American Diabetes Association – 74th Scientific Sessions San Francisco, Califórnia (2014)

Internacional Diabetes Federation – Fórum Foz do Iguaçu, Brazil (2014)

European Association for the Study Of Diabetes (50th EASD Annual Meeting, Vienna, Austria, 2014)

European Association for the Study Of Diabetes (51th EASD Annual Meeting, Stockholm, Sweden, 2015)

World Diabetes Congress – INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION MEMBER (Meeting Vancouver, Canada, 2015)
European Association for the Study Of Diabetes (52th EASD Annual Meeting, Munich , Germany, 2016)

American Diabetes Association – 76th Scientific New Orleans, LA 2016)



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